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letras poemizadas | 02.04.2014 | É preciso

É preciso

É preciso respeitar, na ferida,
a sua potencialidade de cicatrizar.
É preciso acreditar, que quem duvida,
suportando como causa perdida,
tem menos chances de recuperar.
É preciso expurgar, em expressão de vida,
entendendo que, assim, tudo vai melhorar.
É preciso aceitar, na despedida,
a sua potencialidade de transformar.
É preciso lapidar essas jazidas obtidas,
não tê-las como doídas, corrompidas, partidas,
mas como chances de se fortificar e se editar.

(A desculpa acrescenta, mas não re-escreve a história. Ainda que seja possível extrair, de um mal feito a nós, chances de sermos mais fortes, não deve ser esquecido e nem apagado da memória.)




letras poemisadas | 27.07.2011 | Anunciação


Anunciação

Uma grandeza, que de tão rara e bela,
seria, sem mais ela, nossa e tão dela. 
Um quase um óbvio cego mas explícito.
Absorvido, sugado, tragado, pelo fictício.
Maior, extremamente maior, que único e só.
Melhor nunca, e assim, sem sentido um dó.

Anima roubada, violada, enfim doada.
Sem retorno, morada. Menos e mais, tudo ou nada.
Além de qualquer e vago meu, eu ou seu.
Vai e volta, volta e vai, no sabido, esperado breu.
Aviso, anúncio, grito, rouco e louco, mas terno.
Acaba sem fim, afim, rendendo-se ao eterno.

letras poemisadas | 21.08.2006 | Canastrices

Canastrices

E o que somos afinal nessa história com h?
Que verdade nisso há?
Canastras, canastrinas, canastrinos, canastrões, canastronas...
Caquis, laranjas, chuchus, bananas, peras, mamonas.
Frutos da farsa, da cópia, de saturadas atuações, aos milhões.
História deveria ser sempre escrita com E.
Nunca a que se inventa, nunca a que se quer, nunca a do querer.
Dramas, terrores, comédias, amores, meiguices, tolices, mesmices.
Saladas de frutos, saladas de frutas.
Deliciosas canastrices.